Governança da Internet no Sul Global

Chamada de propostas de capítulos

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O Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais (NUPRI) da Universidade de São Paulo (USP) está recebendo propostas de capítulos para sua próxima publicação sobre Governança da Internet no Sul Global.

Por mais de 25 anos o NUPRI vem desenvolvendo pesquisas em vários aspectos de Relações Internacionais, Desenvolvimento Econômico, Estudos de Segurança e Cooperação Internacional. Mais informações sobre NUPRI estão disponíveis no web site http://www.usp.br/nupri/.

 

Introdução

A pesquisa sobre a governança da Internet é um assunto de importância global. Ela engloba um número crescente de aspectos chaves, disciplinas acadêmicas e abordagens teóricas. O número de eventos regionais e internacionais, publicações e debates sobre governança da Internet teve um aumento após o processo CMSI em 2003/2005. Desde então, disparidades políticas, econômicas e sociais tem deixado sua marca nos debates ao redor da Internet. Por um lado, a análise de governança da Internet poderia ser um processo técnico de aplicação de métodos de pesquisa a uma questão definida que, à primeira vista, não estaria vinculada a especificações geográficas. Porém, esta análise faz também parte da realidade social e do ambiente no qual a pesquisa e a análise são conduzidas. Existem tremendas diferenças definidas, em sua maioria, pelas estruturas dos respectivos países e também pelas estruturas e diferenças sociais dentro dos países e suas regiões. A liberação de capital e infraestrutura não só pode influenciar a quantidade e a qualidade da pesquisa mas também pode contribuir para a determinação de agendas políticas locais, regionais e globais.

Uma forma ampla e comum de caracterizar a diferenciação entre certas partes do mundo é a categorização entre Sul e Norte do planeta, na qual o Sul é composto em sua maioria pelo que era entendido como “países em desenvolvimento”, sem contar os termos mais ofensivos como “terceiro” e “quarto” mundo. Ao mesmo tempo, há a discussão sobre como integrar a vasta variedade de países e culturas de três continentes em uma categoria como Sul global, que apresenta diferenças notáveis dentro de si. O Sul global, como uma região vasta, será a limitação geográfica desta publicação para discutir a governança da Internet de um ponto de vista geograficamente específico mas também diversificado. O objetivo é abordar debates sobre a governança da Internet e outros tópicos que são específicos para muitos países na região como baixas taxas de acesso, desafios de infraestrutura, a falta de uma indústria de DNS, participação em debates internacionais sobre governança da Internet e mais.

 

Objetivos

Os dois objetivos principais da publicação são:

1) discutir de forma crítica a governança da Internet sob a perspectiva do Sul global, seus ambientes específicos e agendas de pesquisa e

2) contribuir para a diversificação linguística da literatura sobre a governança da Internet.

1) O Sul global, apesar de ser uma região grandemente diversificada, tem algumas características em comum. A herança da colonização e/ou recentes formas governamentais autoritárias em muitos de seus países deixaram uma marca no desenvolvimento político, econômico e social que desafia muitos países e suas respectivas populações até hoje. Enquanto alguns países recentemente mostraram um tremendo sucesso econômico, outros ainda sofrem com sua infraestrutura básica e necessidades do dia a dia. Independente de sua situação individual, todos os países estão, de certa forma, conectados à Internet e muitos tem interesse de participar em debates locais e mundiais sobre a governança da Internet. Alguns se aproximam da pesquisa de governança da Internet dentro de estruturas institucionais, ao passo que outros ainda não possuem as estruturas necessárias que lhes permitam interagir da mesma forma. Essa publicação objetiva discutir tópicos, desafios e o progresso feito no Sul global desde que a governança da Internet foi oficialmente abordada durante o processo CMSI que abrange cerca dos últimos 14 anos. Usando uma abordagem multidisciplinar, a publicação se objetiva a discutir tópicos de qualquer campo científico.

2) A diversificação linguística da literatura sobre a governança da Internet é de altíssima importância para melhorar discussões e interações acadêmicas em regiões que não possuem o inglês como sua única ou primeira língua. Por motivos compreensíveis, hoje uma grande parte da literatura acadêmica sobre governança da Internet está escrita na língua inglesa, limitando o acesso dos não falantes para aqueles capazes de pagar escolas particulares ou aulas de língua estrangeira, o que nos países no Sul (que falam idiomas diferentes do inglês) geralmente significa uma pequena fração da população. Existe também uma grande diferença entre possuir conhecimento básico de uma língua estrangeira e usá-la propriamente para acessar informações ou participar de debates. Além disso, universidades e bibliotecas públicas raramente possuem literatura importada sobre governança da Internet. Uma ideia importante da academia deve ser a de criar um diálogo não só entre os economicamente ricos de um país, mas também facilitar a inclusão dos interessados da maioria populacional sobre um determinado assunto. Idiomas regionais possuem um papel crucial neste contexto. A falta de literatura sobre governança da Internet em diversas línguas não é o único obstáculo, mas sem dúvida um dos mais importantes limitadores para que os acadêmicos e outros participarem nos debates sobre a mesma.

Sendo editada na região da América Latina e Caribe, esta publicação focará em contribuições redigidas nas línguas portuguesa, espanhola e inglesa, com a esperança de que outras iniciativas explorem a governança da Internet em hindi, mandarim, árabe, bengali, javanês, marati e em muitos outros idiomas. Oferecer a pensadores de diferentes culturas e idiomas a oportunidade de participar nos debates sobre a governança da Internet é uma forma de aumentar as chances para melhorar ambientes de pesquisa ao redor do mundo.

 

Público

O público desta publicação é o de pesquisadores acadêmicos, estudantes, jornalistas, ONGs, governos e qualquer indivíduo interessado em governança da Internet.

 

Tópicos

Os autores são livres para escolher um tópico de seu interesse. A seguir encontra-se uma lista de tópicos sugeridos que se encaixariam no foco desta publicação. Os autores podem usar esta lista como orientação ou desenvolver um tópico diferente de sua escolha.

  • Big data, fluxos globais de dados e desenvolvimento econômico no sul
  • Construtivismo e debates públicos sobre segurança cibernética em países com altas taxas de crimes violentos
  • Desafios para o desenvolvimento de uma indústria competitiva de DNS
  • Concentração de riqueza e determinação de agendas políticas / hipótese do agendamento na governança da Internet
  • Pesquisa em governança da Internet, métodos de pesquisa e capacitação dentro e fora de instituições de ensino superior
  • Participação local, regional e global em debates de governança da Internet
  • Internet banda larga acessível para as massas
  • Investimento e desenvolvimento de infraestrutura técnica
  • Privacidade e proteção de dados
  • Criptomoedas

 

Informações de envio

Propostas são aceitas de estudantes de pós-graduação, doutorandos e doutores de todas as partes do mundo. Propostas excepcionais de graduandos e profissionais do campo também serão consideradas. Propostas (e mais tarde, contribuições finais) são aceitas em português, espanhol e inglês.

Propostas de 800 a 1200 palavras apresentando o tema, com objetivo e estrutura claramente definidos podem ser carregadas nesta página, junto com currículo de uma página de cada autor, que inclua afiliações acadêmicas (e outras) e a experiência no campo da governança da Internet (lista de publicações, apresentações ou outras atividades relacionadas).

Os autores selecionados serão requisitados a entregar a versão final (e depois revisada) de seu capítulo como um arquivo .doc considerando as seguintes especificações:

A publicação terá um número ISBN e será distribuída sob licença Creative Commons. O acesso será online e gratuito.

 

Datas

  • Envio das propostas: 15 de junho de 2017
  • Notificação sobre as propostas aceitas: 15 de julho de 2017
  • Envio dos capítulos finalizados: 15 de outubro de 2017
  • Notificação sobre os capítulos aceitos: 15 de novembro de 2017
  • Envio da primeira revisão: 15 de dezembro de 2017
  • Notificação sobre primeiras revisões aceitas: 15 de janeiro de 2018
  • Envio da segunda (e última) revisão: 15 de fevereiro de 2018

Prof. Dr. Rafael Antonio Duarte Villa
Coordenador NUPRI

Dr. Daniel Oppermann
Editor da publicação

A administração das contribuições é feita através da plataforma Easychair. Para realizar um upload por favor clique aqui.

Em caso de dúvidas entre em contato por email.